quarta-feira, abril 20, 2005

Coisas da Arquitectura - Verticalidades da China











Fotografias de Michael Wolf.

8 Comentários:

Às 20 abril, 2005 01:09, Blogger FDV disse...

interessante recolha. algumas imagens são muito boas. [é sempre um bom tema].

cumprimentos.

 
Às 20 abril, 2005 03:28, Anonymous martaf disse...

boas fotografias!
são imagens assustadoras...é incrível como se "arquivam" pessoas em pseudo-habitações!

somos todos iguais!? viver no 1º ou no último andar é a mesma coisa!?

 
Às 20 abril, 2005 13:16, Blogger ... disse...

Isto é o comunismo da Arquitectura!

 
Às 20 abril, 2005 14:42, Blogger musalia disse...

sobrevivência possível e confrangedora!...

beijos

 
Às 20 abril, 2005 17:13, Blogger Arroz de Estragão disse...

fdv: um dos sentidos da arquitectura é também tornar o espaço mais fotogénico, embora muitas vezes assim não aconteça...outras vezes, essa fotogenia é também perfeitamente acidental...Mais do que um critério estético, estas fotografias são-nos estimulantes porque são "diferentes"; mais do que uma estética, dizia, é uma cultura, creio.

Cumprimentos.

martaf: pois...o velho problema dos caixotes...Mas eles (na China) não têm grandes alternativas; é um dos países com maior densidade populacional do mundo e, em centros urbanos, chega a ser estonteante.

Acho também que as pessoas devem ter um sentido de privacidade diferente do sentido ocidental: devem ser mais tolerantes; mas sim, não vamos ser mais indulgentes só por essa razão.

O que me fascina nestas imagens decorre, creio, de uma assumida preversão: a preversão da beleza do mundo artificial. E é tão poderoso esteticamente este mundo artificial; lembro-me do "Metropolis", do Fritz Lang - uma utopia realizada?

Lembro-me também da forma como o "Brave New World", do Aldous Huxley, começa, que é qualquer coisa como: "Os homens passaram grande parte do tempo a esboçar utopias, depois, passaram outra grande parte em contruí-las e pô-las em práctica; agora, os homens começam a pensar em formas de se livrarem delas."

Muito inteligente, este Huxley.

Quanto a mim, a maior destas utopias é o Capitalismo e, tão cedo, não nos vamos ver livres dela.

Resta-nos pensar que tem muitas coisas boas ;)

ricardo dias: hoje em dia, estranha e curiosamente, há muito pouco que distinga a arquitectura dos países dedicadamente comunistas dos países dedicadamente democráticos (basta pôrmos ao lado destas fotos outras mostrando os suburbios de New York ou, até, do centro de São Paulo).

No entanto, creio existirem americanos preocupados com os países com ideologias comunistas.

O mundo dá muitas voltas, mas...

musalia: nem imaginas o quanto...conheci uma chinesa quando me meti no autocarro de Krakow para Aushwitz. Era uma rapariga muito inteligente e bonita que viajava sozinha, como eu. Quando lhe perguntei o que era viver em Pequim, ela respondeu que era muito mais "mexido"; que na Europa havia muito mais "espaço", mas surpreendentemente, em vez de lhe ver uma lágrima no canto do olho, ela estava a sorrir! Isso deixou-me a pensar até ao momento em que chegámos a Auschwitz.

Outra coisa interessante que reparei é que ela falava muito perto de mim; percebi que as nossas noções de "espaço próprio, pessoal" eram diferentes. Achei piada àquilo e fiz umas sandes para o nosso lanche comum (nista).

Foi uma das pessoas mais afáveis que conheci durante esse mês.

Depois, perdemo-nos, como haviamo-nos encontrado.

Beijos.

 
Às 22 abril, 2005 16:17, Blogger su disse...

Posso dizer que pelo menos grande parte das fotografias são da autoria de Michael Wolf, e podem ser vistas no seu site http://www.photomichaelwolf.com/intro/index.html
no seu ensaio "Architecture of Density".

E já tinha em tempos falado sobre o problema dos grandes fluxos migratórios para as cidades costeiras e industrializadas da China. O problema aqui não passa já pela arquitectura, mas sim por uma estratégia que deveria ser implantada de modo a evitar este gigante movimento de população, de modo demasiado rápido e em condições muito precárias. Isso é bom de dizer, mas estamos a falar da China, e os números de população não são comparáveis a qualquer ontro país do mundo, e como lembras bem Arroz de Estragão, nada diferencia a "suburbia" sul americana ou americana da asiática (estas fotos ali ao lado na Índia ou Bangladesh não são muito distintas). Existem diferenças óbvias de densidade, mas ao nível de humanização e identidade do espaço, estamos a falar de coisas no mesmo patamar. A solução acaba por ser esta, ou então pior, amontoados nos slums. Não existe grande margem para humanizar a arquitectura quando falamos em necessidades de centenas de milhares de pessoas deste modo faminto. O problema tem de ser extinguido antes. Não é fácil, mas haveria uma solução mais integradora (sobretudo mais ambiental), posta de lado devido ao "progresso a todo o custo" que a China persegue. O que me leva a discordar do Ricardo: esta indiferenciação pode ser, de facto, uma imagem de ideário comunista, mas tudo isto que se está a ver nas fotografias resulta do mais extremo capitalismo! Não estamos a falar de indiferenciação, mas sim de especulação. O suburbio-dormitório que conhecemos (ou aquele que verdadeiramente foi generalizado) é traçado pela regra da rentabilidade. Mais nenhuma. E leva-me a pensar que, talvez, a estória dos extremos se tocarem não é assim tão mal contada.

 
Às 22 abril, 2005 16:29, Blogger su disse...

Uma correcção: as fotos são mesmo todas de Michael Wolf, como fui agora confirmar.

p.s. não conhecia o blogue e gostei.

 
Às 22 abril, 2005 20:54, Blogger Arroz de Estragão disse...

s.a.: em primeiro lugar, muito obrigado pelo teu pertinente comentário; e este é mesmo um daqueles assuntos em vale a pena falar a sério.

Quanto à autoria das fotografias, já corrigi o poste, obrigado.

Não encontrei, no "reiniciar" nada sobre este assunto, procurei mal? Ajuda-me.

No que toca aos motores do desenvolvimento urbano estamos plenamente de acordo. O dinheiro e a gestão rentável do território. As margens de lucro são as únicas regras, e, mesmo em Portugal, os regulamentos existentes (RGEU) são respeitados no limite...A especulação aumenta-nos o PIB, mas condena-nos a longo prazo a qualidade urbana e do espaço, em geral.

Grande parte dos problemas socias graves decorrem também desta falta de qualidade. Num suburbio infeliz, com habitações baratas, vivem pessoas descontentes com a falta de qualidade e, para além de tenderem a agravar essa insuficiência, são também marginais em potência (pelo facto de existir um geral descontentamento com "a sociedade").

O caso das grandes cidades orientais é muito especial. Não se pode reduzir a população (embora se matem crianças à nascença na China, de sexo feminino na maioria, e não se abula a pena de morte), não se pode aumentar o território (embora se comecem a construir grandes infraestruturas por cima do mar) o que se pode fazer, como tu bem mencionas, seria despertar uma "consciência ambiental" na cultura chinesa, mas, como o sistema económico deste país está virado mais para a "produção", duvido que isso aconteça de forma amigável; o governo terá que "bater com a cabeça na parede". Seria o mesmo que dizer ao governo americano que teria de desistir das cotas dos barris de petróleo porque o hidrogénio passaria a ser generalizado planetariamente. Não lhes interessa...

Mudar o sistema económico de um país é mudar tudo; e mudar alguma coisa à escala urbana é mudar este sistema económico. Quanto ao desfecho da situação ambiental da China, concretamente, sou pessimista.

Outra coisa é, não consigo de deixar de achar estas fotografias lindíssimas; perversão? Creio que sim, mas não no mau sentido.

Cumprimentos. Espero ver-te mais por aqui :)

 

Enviar um comentário

<< Home