sábado, julho 30, 2005

Coisas das histórias – O homem que não chegou a suicidar-se V

Na terceira gaveta encontrava-se a carta que se destinava a Sessenta e Nove:

“Se conseguisse desenhar a 20 aniversario...palabras do Patxi Andión, era precisamente aqui que o faria.

Sempre mais nobre que eu; sempre mais pequena que eu. Só te falhou a presença de espírito ao teres mentido; bem sei que andavas distraída, com outras coisas; muitas coisas. Mas não seria a frontalidade da verdade a forma de te esqueceres das mentiras? A pior delas foi teres dito que nunca tinhas mentido; foi teres mentido a ti própria. Foi aí que percebi que, muito provavelmente, eras apenas uma imagem; assim te pintei; assim te pintaste.

Já é tarde para que se prove o contrário; sim, porque o “tarde” também existe, e também chega. Infelizmente, deixámos tanto por fazer...não é? Devíamos ambos ter crescido um pouco mais cedo; eu, esquecer-me-ia de ti, e tu...tu perceberias que o que mais queres é deitar-te comigo. Ai...onde chegaríamos...tanto tempo desperdiçado; tantos sonhos dilacerados...Mas agora é já tarde, dramaticamente tarde.”

2 Comentários:

Às 12 agosto, 2005 01:08, Anonymous Anónimo disse...

" A vida dura e os exercícios constantes deram-me ainda mais têmpera. Porém, mesmo depois de tanto tempo, tempo suficiente para esquecer até o meu nome, a lembrança daquela mulher insistia em me visitar nas mais libidinosas formas, com o teor dos mais sentimentais sentimentos.
Ele era o chão das suas pegadas. E essas pistas não me levavam até ela.

Não me levavam a lugar nenhum."

Alessandro Martins

 
Às 17 agosto, 2005 17:08, Blogger Arroz de Estragão disse...

Que comentário tão acertado.

É bom saber que nos percebem.

Obrigado.

 

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