terça-feira, dezembro 07, 2004

Coisas da Arquitectura - o Dislumbre

Há um tempo, antes de começar a fazer um projecto, escrevi isto:

Dislumbre

Donde vem o dislumbre?
Donde virá essa orgia fantástica de emoções?
esse súbito esquecimento de que existo?

Essa música não terrestre;
Essa reinvenção do mundo,
que é meu.

Essa quase morte...

Fuga de tudo
do que me oprime
e do que me apraz.

Serenidade fugidia
Que se alonga com a minha ausência
cada vez mais...
Perto.

De novo o Deus esquecido
porque sim,
porque não...

Um bago de uva a rolar no chão
Um tanque onde outrora lavavam lavadeiras
Um albatroz sobrevoando uma multidão, na rua Augusta
Um doido beijando um quadro da Paula Rego
Uma mão que nos toca inesperadamente a nuca
A simpatia de uma hospedeira
A vontade de escrever um livro
A vontade de adormecer
A volúpia de uma preversão
A voz estrondosa de uma verdade,
quando é dita
O crepitar do fogo.

Água que corre no silêncio
Cheiro a papel húmido e velho
E a coisas muito usadas.

Porque não se pode, numa igreja, fazer amor?


Moi-même

2002

1 Comentários:

Às 08 dezembro, 2004 00:31, Blogger maria borboleta disse...

...porque fica chato...faz eco!

 

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