domingo, dezembro 12, 2004

Coisas da Poesia - o coleccionador

Quando o coleccionador


Quando o coleccionador
Perguntam-lhe; pergunta-se,
Porque arrumas; arrumo, conjuntos de coisas?

Quando o coleccionador
Deseja todas as coisas
De uma colecção;
Paradoxo e uma inversão,
Pois coisas, todas elas,
Eram já inverso
De colecção.

Quando o coleccionador
que guarda com cuidados
males espanta
dos cristais abandonados,
por uma vez acariciados.

Quando o coleccionador
De tempo, sem tempo, gasta
De coisas a coleccionar;
Nenhum gosto em tocar,
De lombadas, umas às outras,
Seguidas.

Quando o coleccionador
Olha e vê,
De novo desvia e volta a coleccionar
O olhar.

Quando o coleccionador
Goza finalmente;
Fogo de céu,
Escolhas,
Limpas, finalmente
Sabe,
Arder as coisas
Para dormir
A seguir.

Era aqui o quando.



escrito por moi-même num dia de incêndio...

2 Comentários:

Às 12 dezembro, 2004 22:19, Blogger maria borboleta disse...

muito bom!!! estou surpreendida com a tua excelente capacidade de me arrepiar!

 
Às 12 dezembro, 2004 22:28, Blogger Arroz de Estragão disse...

Fico contente! :-) os melhores arrepios são aqueles que não são do frio; um dia escrevo qualquer coisa sobre isto...

Bisous, borboleta.

 

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